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Só mais 6 antibióticos?

Em 1942 o primeiro paciente americano foi miraculosamente curado de uma infecção por estreptococo com uma pequena dose de penicilina. Setenta anos depois, estreptococos resistentes a penicilina estão endêmicos, pelo mundo afora.

As grandes epidemias vão recomeçar?

Não só os estreptococos estão à solta e resistentes: a resistência a antibióticos de todas as bactérias está aumentando.

Veja no gráfico abaixo: na última década a resistência de três infecções sérias quadruplicou.

Na China a situação é muito pior e está se agravando mais rápido do que nos EUA. Segundo um estudo de 2009 feito por pesquisadores da Goldman Sachs, Tufts University e da faculdade de medicina de Harvard – “Resistência a Antibióticos Como uma Ameaça Global: Evidência da China, Kwait e EUA” (Ruifang Zhang, Karen Eggleston, Vincent Rotimi and Richard J Zeckhauser, 2006; Antibiotic resistance as a global threat: Evidence from China, Kuwait and the United States) – 26% das infecções na China apresentam resistência a antibióticos; 41%, nos casos de infecções hospitalares.

Mas novos antibióticos estão sendo inventados todo dia, certo?

Errado.

Eu resolvi submeter o ritmo de lançamento de novos antibióticos (novas moléculas, não variações do mesmo princípio ativo) ao nosso velho conhecido Modelo de Bass. A pergunta que desejo responder é: em que ponto da curva S está a tecnologia dos antibióticos? Perto da saturação ou com muita inovação pela frente?

Eu utilizei a série de anos de lançamento de todos os antibióticos, desde o primeiro – o famoso Salvarsan, que curou a sífilis, lançado em 1910 – até o Telavancin, lançado em 2009.

100 anos de lançamento de antibióticos

Eis o gráfico com o número de lançamentos de novos antibióticos a cada década, de 1910 a 2010:

Número de Lançamentos de Antibióticos em Cada Década

Já dá para perceber que o ritmo de chegada de novos antibióticos caiu muito. Após um pico na década de 1980, de mais de 40 novas moléculas, somente cinco novos princípios foram lançados na primeira década do novo século.

O que esperar do futuro

Duas ondas de produtos antibióticos – até 1965 (linha vermelha) e a partir de 1970 (linha azul).

O que nos diz o Modelo de Bass? Quanto ainda podemos esperar da atual tecnologia de pesquisa de antibióticos?

Em primeiro lugar ele nos diz que nós estamos vivendo a segunda onda desta tecnologia (ver gráfico à esquerda). A primeira onda encerrou-se em meados da década de 1960 e, a partir de 1970, uma nova geração de produtos passou a ser ofertada ao mercado.

O gráfico abaixo – a “Curva S” do Modelo de Bass – mostra a evolução do número de moléculas disponíveis no mercado:

A linha azul mostra os valores reais. Até 2009 haviam sido lançados 134 moléculas para combate a bactérias e fungos.

As linhas vermelhas mostram os resultados do Modelo de Bass. O Modelo prevê que o número máximo de antibióticos que a atual tecnologia – já praticamente esgotada – será capaz de criar é 140. Estatisticamente falando, só devemos esperar mais 6 novos antibióticos no futuro.

Será verdade?

Essa também parece ser a opinião dos especialistas:

“Hoje não há drogas sendo desenvolvidas para combater patógenos cESBL-gram-negativos e as grande companhias farmacêuticas praticamente eliminaram a pesquisa de novos antibióticos. Há uma necessidade tremenda de desenvolvimento de novas [drogas], através da cooperação entre academia e pequenas empresas farmacêuticas. (…) As opções de tratamento de infecções gram-negativas estão perigosamente limitadas, à medida em que as bactérias expandem sua capacidade de defesa contra os antibióticos existentes.”

Nova Tendência Alarmante na Resistência dos Patógenos a Antibióticos”
Lee JH, Jeong SH, Cha S-S, Lee SH, 2009: New Disturbing Trend in Antimicrobial Resistance of Gram-Negative Pathogens

Há esperança?

Sim.

Só não para a atual tecnologia. Mas diversas outras avenidas de pesquisa estão sendo exploradas.

Quer conhecer uma das novas idéias e um dos “guerreiros” que estão lutando para criar a próxima tecnologia para nos proteger de infecções e epidemias? Assista o filme abaixo, do TED, e fortaleça a esperança:

 

 

Para saber mais:

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