Table Partners

Consultoria de estratégia e liderança

Porque continuamos a recrutar engenheiros

O mercado de trabalho brasileiro está aquecidíssimo para engenheiros. Empresas de engenharia, que há décadas recrutavam menos engenheiros do que as faculdades os formavam, agora correm atrás até de profissionais aposentados. Não está fácil nem barato contratar engenheiros com um ou dois anos de formados.

Por sua vez, boas faculdades de administração, como o Insper por exemplo, intensificaram bastante o conteúdo quantitativo de seus currículos de graduação.

Porque, então, nós nos esforçamos para sempre ter (não apenas, mas também) engenheiros entre os candidatos de nosso processo de recrutamento, na Table Partners?

Eu acredito que isso está ligado à razão pela qual nossos clientes procuram a ajuda da Table Partners e outras boas consultorias de estratégia.

Mais do que conhecimento acumulado

Nós e todas as boas consultorias de gestão dominamos a disciplina de formulação estratégica, assim como diversas outras: finanças, produção, marketing, desenho organizacional e de processos, etc. Nossos clientes também valorizam muito nosso conhecimento profundo e experiência prática, acumulada ao longo de anos, em seus setores e mercados. Nenhuma dessas competências é ensinada em cursos de engenharia.

Mas nossos clientes não esperam apenas que sejamos competentes ou que apliquemos corretamente experiências passadas ou de outros países a seus negócios.

Para desenvolver respostas à altura da complexidade de seus desafios ‒ respostas ­originais, que criem valor econômico novo para seus negócios ‒ nossos clientes buscam algo mais fundamental: uma forma particular de entender o mundo e o desafio de conceber e implementar coisas novas nesse mundo. Na minha opinião essa forma única de entender o mundo e pensar sobre como atuar nele é a essência do que se ensina nos bons cursos de fundamentação científica, como a engenharia.

Uma ponte estreita demais

Para ilustrar algumas particularidades da visão “prático-científica” da engenharia, eu vou usar o exemplo de um projeto único de engenharia: a duplicação da ponte Vitória-Vila Velha, no Espírito Santo.

A “Terceira Ponte”, como a chamam os capixabas, é a segunda mais alta do Brasil e um cartão-postal de Vitória. Uma bela obra de engenharia.

Contudo, desde 1989, quando foi inaugurada, o tráfego na ponte aumentou 450% e grandes congestionamentos tornaram-se rotina diária, nos horários de pico.

Ao invés de encomendar o projeto de uma nova ponte, o governo capixaba teve a boa idéia de solicitar a empresas de projetos de engenharia propostas de como aumentar a capacidade da Terceira Ponte. Um dos projetos em estudo, concebido por um escritório europeu, prevê a construção de novas pistas sobre lajes a serem construídas em balanço, ancoradas na ponte atual. O mais surpreendente, contudo, é a proposta de realizar esta obra sem interromper nenhum dia o tráfego de veículos na ponte!

A prática da ciência e a ciência da prática

Três princípios, que ilustrarei com o projeto de ampliação da Terceira Ponte, exemplificam algumas particularidades da visão “prático-científica” da engenharia:

Se não sabe como e porque vai fazer, não faça. Tentativa-e-erro, em engenharia, costuma custar dinheiro e vidas. Idéias ou soluções tentativas podem (e devem) ser ensaiadas em laboratório ou em testes, mas nunca no campo. O engenheiro não descansa enquanto não encontra uma teoria, uma técnica, que explique e discipline o desenho e planejamento de uma solução.

Mais importante do que as plantas especificando como deve ser a estrutura da nova ponte de Vitória, será o projeto executivo ‒ como a obra deverá ser executada: como sustentar o canteiro “pendurado” para fora da ponte; como instalar os cabos de protensão que farão a nova estrutura “abraçar” a atual; etc. Não passaria pela cabeça de ninguém executar uma obra como esta sem muita análise, modelagem, simulação e cálculo estrutural antes do primeiro operário ser contratado.

Nada acontece isoladamente. Ação e reação: se você provoca uma mudança, pode ter certeza que outras mudanças vão acontecer, mesmo que você não as provoque diretamente. Para que uma solução seja segura, é preciso prever e preparar-se para as mudanças que ela provocará.

Ao analisar o problema do tráfego na Terceira Ponte, o escritório de engenharia concluiu que, hoje, os acessos são tão responsáveis por gargalos de tráfego quanto a ponte. Apenas ampliar a capacidade da ponte, portanto, não eliminaria os engarrafamentos. Mais do que isso: os congestionamentos diários já podem ser parcialmente mitigados, em prazo e custo relativamente baixos, simplesmente melhorando os precários acessos atuais. Endereçar o impacto da obra sobre os acessos não apenas deve fazer parte do projeto como até mesmo antecedê-lo.

Nós erramos (e por isso vigiamos nossas ações). A natureza não é 100% previsível; sociedades e mercados menos ainda. Mas “chutes” e cálculos “rapidinhos” são, em geral, “erradinhos” ‒ exatamente como as decisões de executivos “rapidinhos”. Bons executivos e engenheiros são humildes em suas afirmações e mantém um olhar atento sobre suas soluções, até que elas tenham se mostrado estáveis algum tempo depois de implementadas.

Toda obra do porte da ponte de Vitória (e mesmo obras muito menores) têm protocolos de inspeção, testes e medições que visam detectar problemas antes que um colapso ocorra. Desastres não esperam, mas quase sempre dão avisos antes de acontecer  ‒ cabe ao engenheiro (e ao executivo) estarem atentos.

O relacionamento como produto

Quando nossos clientes nos procuram, eu acredito que eles buscam a nossa forma de entender os problemas, desenhar soluções e motivar mudanças. O valor que agregamos é a nossa forma de pensar e nossa atitude diante dos desafios que escolhemos abraçar. Quando, exposto aos nossos valores, o cliente acredita que esses valores podem contribuir para suas organizações, então o relacionamento com a Table Partners passa a ser tão valioso quanto o resultado de nossos projetos.

Essa é a razão porque acredito que a maioria de nossos clientes relaciona-se conosco por anos a fio. Nossas escolhas e atitudes diárias nos permitem catalizar energias que, de outra forma, estariam dispersas ou consumidas por impasses nas organizações com que trabalhamos.

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