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Consultoria de estratégia e liderança

Caráter, personalidade e ação

Um dos ícones das “velhas” empresas era o “empregado de confiança” que chegou a Diretor (às vezes até a Presidente, mesmo de grandes conglomerados financeiros), apesar de uma capacitação muito limitada. O acionista confiava na integridade e lealdade do empregado e isto era razão suficiente para pô-lo no comando.

Mercados cada vez mais competitivos e demandando capacidade de influência sobre o ambiente (governos, concorrentes, parceiros comerciais etc.) inviabilizaram esta opção e as empresas passaram a promover indivíduos de grande capacidade de influência – personalidades marcantes.

Este modelo está chegando às suas últimas consequências lógicas, com novas empresas colocando um grande prêmio sobre a personalidade “heróica”, capaz de realizar objetivos audaciosos, não importam as dificuldades e obstáculos no caminho.

O preço desta nova cultura heróica é que nossas organizações prezam – e praticam – cada vez menos a reflexão e o aprendizado. Obstáculos são para ser vencidos e esquecidos; objetivos conquistados e logo substituídos por novos.

Já há quem iguale a Síndrome do Déficit de Atenção à uma suposta “personalidade do empreendedor”. “Amofinado na escola, reprovado em matérias, deslocado em relação aos colegas: esta criança pode ser um empreendedor”, diz Cameron Herold.

Como viemos parar aqui

Numa visão oposta, Susan Cain, autora do livro “Quiet: The Power of Introverts in a World That Can’t Stop Talking” apresenta uma explicação muito convincente de como chegamos aonde chegamos:

As sociedades ocidentais, em particular os Estados Unidos, sempre favoreceram o homem de ação ao invés do homem contemplativo. Mas nos primórdios da América, vivíamos o que os historiadores chamavam de cultura do caráter, quando ainda valorizávamos as pessoas pelo seu interior e sua integridade. Se olharmos os livros de auto-ajuda daquele tempo, todos tinham títulos como “Caráter, a Coisa Mais Importante do Mundo” (1899) e utilizavam como exemplos personagens como Abraham Lincoln, que era elogiado por ser modesto e despretencioso.

Quando chegamos ao século XX entramos numa nova cultura que historiadores chamam de cultura da personalidade. Isto aconteceu porque evoluímos de uma economia agrícola para um mundo de grandes negócios. De repente, as pessoas mudaram de vilas para grandes cidades. Em vez de trabalharem com pessoas que conheceram a vida toda, agora têm que provar seu valor numa multidão de estranhos. Então, compreensivelmente, qualidades como magnetismo e carisma parecem, de repente, muito importantes.

E assim livros de auto-ajuda mudaram para satisfazer essas novas necessidades e, agora, começam a ter nomes como “Como Ganhar Amigos e Influenciar Pessoas” (1937). Passaram a ter como modelos grandes vendedores. Este é o mundo em que agora vivemos. É a nossa herança cultural.

O que você prefere?

E você, acionista, o que prefere para sua empresa?

Uma cultura da personalidade, do heroísmo ou do caráter?

 

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