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Economistas pós-crise

Um dos livros mais comentados do ano passado foi “The End of Progress: How Modern Economics Has Failed Us“, de Graeme Maxton (você pode ver o autor expondo algumas de suas idéias aqui). A crise em que os países desenvolvidos mergulharam, desde 2008, vai mudar para sempre a forma como a Economia é pesquisada e ensinada. Entre as novidades está a preocupação sobre o quanto a qualidade da gestão de sua empresa está afetando nossa sociedade.

Mude ou adeus

Em novembro/11 os 700 alunos da disciplina de Economia 10 de Harvard retiraram-se do curso. Em uma carta aberta ao professor da disciplina, Greg Mankiw, os alunos afirmam ter abandonado a disciplina

“a fim de expressar nosso descontentamento com o viés inerente a este curso de economia. Estamos profundamente preocupados com a maneira que esse viés afeta os estudantes, a universidade, e nossa sociedade em geral. Como estudantes de Harvard, matriculamo-nos em Economia 10 esperando obter uma ampla base introdutória da teoria econômica que nos ajudasse em nossas diversas disciplinas e atividades intelectuais, que vão desde a Economia, à Ciência Política, Estudos Ambientais e Políticas Públicas, entre outras. Ao invés disso, encontramos um curso que adere a uma visão específica – e limitada – da Economia que, acreditamos, perpetua sistemas problemáticos e ineficiente de desigualdade econômica em nossa sociedade.

Graduados de Harvard desempenham papéis importantes nas instituições financeiras e na formulação da política pública em todo o mundo. Se Harvard não equipar seus alunos com uma compreensão ampla e crítica da economia, suas ações provavelmente prejudicarão o sistema financeiro global. Os últimos cinco anos de crise econômica tem sido prova suficiente disso.

O que mudar?

Há 3 meses o New York Times promoveu um debate sobre como o ensino de Economia deve mudar, à luz da crise financeira. Esta é precisamente a pergunta que o Institute for New Economic Thinking está investindo milhões de dólares para ajudar a responder:

Esta semana o (excelente) blog BigThink perguntou a oito jovens economistas de destaque (isto é: parte daqueles que vão decidir o que será pesquisado e ensinado em Economia, no futuro) como eles imaginam que a disciplina deverá mudar, na próxima década.

Aqui está um resumo de alguns dos pontos de vista mais interessantes dos entrevistados:

Big Data

“Nós costumávamos ter poucos dados e nenhuma capacidade de processamento. Por isso o papel da teoria econômica era preencher os vazios onde faltavam os fatos. Hoje cada interação que fazemos em nossas vidas deixa um rastro de informação. Para qualquer questão que tenhamos interesse em responder há dados disponíveis no hard-drive de alguém, em algum lugar. (…) Economia não é a única disciplina disputando essa corrida: nossos colegas em Ciências Políticas e Sociologia estão usando ferramentas similares; cientistas da computação estão trabalhando com “big data” e “machine learning” e os estatísticos estão desenvolvendo novas ferramentas. A disciplina que melhor se adaptar ganha. Eu acho que será a Economia.” – Justin Wolfers (University of Pennsylvania; 39 anos)

 

“Em um artigo de 1945 (“The Use of Knowledge in Society”) F. A. Hayek argumentou que apesar de sua desigualdade e ineficiência, a economia de livre mercado é necessária para incorporar, nas decisões sociais, a informação dispersa nos indivíduos. Nenhum planejador central poderia esperar coletar e processar toda a informação necessária para a tomada de decisões sociais; apenas os mercados permitiam e davam os incentivos para processamento descentralizado da informação.

Está cada vez mais difícil justificar porque a informação dispersa é um obstáculo, como já foi no passado, para o planejamento centralizado. A tecnologia da informação, portanto, desafia o fundamento da economia de mercado. Por muitos anos, daqui para frente, os economistas terão que lidar com esse desafio. Alguns empregarão o poder da computação para gerar recomendações de econômicas cada vez mais precisas e acertadas. Outros, que valorizam a tradição libertária da disciplina, serão forçados a articular novos argumentos – por exemplo, baseados em privacidade – que não sejam erodidos pelo poder crescente da computação centralizada.” – Glen Weyl (University of Chicago; 27 anos)

Pessoas de verdade

“A questão em aberto mais central na teoria econômica, na minha opinião, é como modelar agentes econômicos realistas. Tradicionalmente os economistas confiaram em modelos baseados em agentes econômicos racionais, mas está claro que essa é apenas uma caricatura grosseira. Nossa visão foi muito enriquecida pela Economia Comportamental, nos últimos 30 anos, mas ainda estamos longe de uma alternativa realista, versátil, unificada, para o modelo do agente racional.

Eu tenho esperança, contudo, que isso possa ser superado – em parte graças ao progresso em disciplinas irmãs (psicologia e neurociência) e em modelagem; e também porque anomalias empíricas como a atual crise estão forçando o profissional de economia a ter a mente mais aberta. […Isso] vai nos permitir construir modelos e instituições que levem mais em conta as limitações da razão humana.” – Xavier Gabaix (New York University; 40 anos)



“Se nós considerarmos a Economia como um veículo para entender o funcionamento do mundo, a forma como os economistas vierem a interpretar a atual crise – como o resultado de mercados respondendo racionalmente a políticas equivocadas ou como o produto de decisões irracionais endêmicas – (…) irá moldar não apenas a forma como os economistas trabalham, mas o tipo de sociedade em que viveremos” – Peter Leeson (George Mason University; 32 anos)

Estabilidade e crescimento econômico

“Todo país deseja promover crescimento sustentável, sem grandes episódios de euforia e crise. Como exatamente se faz isso permanece um desafio que se tornou mais agudo pela crise atual. Num mundo cada vez mais globalizado a busca por respostas exige um entendimento muito mais profundo das diferenças entre economias e das interligações entre o comércio, as finanças e as políticas macroeconômicas dos diferentes países.

Hoje as questões mais interessantes referem-se à interação entre as economias desenvolvidas e as economias em rápido crescimento, com instituições muito diferentes.” – Gita Gopinath (Harvard University; 40 anos)

A qualidade da sua gestão faz diferença

“Por que países em desenvolvimento são pobres? Em termos de impacto na humanidade em geral, esta me parece provavelmente a questão econômica mais importante. (…)

As pessoas de países em desenvolvimento são pobres porque seus salários são baixos; seus salários são baixos porque as empresas em que trabalham são muito improdutivas; e as empresas são improdutivas principalmente por causa de má gestão.

Um trabalhador indiano ganha em uma semana o que um trabalhador americano ganha em metade de um dia. Em grande parte isso acontece porque as fábricas na India são, francamente, muito mal geridas. (…)

Num projeto recente com o Banco Mundial, nós descobrimos que recomendações administrativas muito simples aumentam a produtividade de fábricas indianas em 20% e eu suspeito que algo como 200% de melhoria seja possível, a longo prazo.” – Nicholas Bloom (Stanford University; 39 anos)

E você?

Você acredita que competir com as melhores empresas globais da sua indústria é ambicionar demais? É desnecessário, porque o mercado brasileiro não é tão competitivo?

Ou está esforçando-se para que sua empresa tenha o melhor padrão de gestão? Gerir bem só depende de você e a sociedade brasileira agradece.

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