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Consultoria de estratégia e liderança

A bola não entra por acaso

No Brasil convivemos desde sempre com uma “indústria” de esporte (leia-se: futebol) mal gerida, dominada por figurões e negociatas, e dependente de talentos isolados que surgem não graças a uma plataforma adequada, mas pela admirável fertilidade da cultura brasileira em talentos para o futebol.

Agora que Ricardo Teixeira, o peso sobre o futebol brasileiro, se foi, um possível papel/missão para a federação nacional de futebol poderia ser de apoiar os times a encontrar seu posicionamento estratégico e instrumentá-los a gerir o negócio profissionalmente.

Da mesma forma, o empresário brasileiro também tem lições importantes a aprender com os clubes europeus sobre a coerência entre estratégia e implementação disciplinada.

É o caso do turnaround do Barcelona FC, liderado pelo controverso Joan Laporta, bastante interessante e instrutivo.

A bola e o acaso

No livro A Bola Não Entra Por Acaso, o então VP financeiro Ferran Soriano conta como um grupo de gestores inteligentes, bem-intencionados e empowered recuperaram o desempenho, as finanças e a reputação do clube catalão, e as lições de negócios aprendidas em sua experiência.

Para quem, como eu, gosta de pensar conceitualmente, e não entende nada de futebol, é fascinante entender este esporte sob a lógica de business. O futebol, tal como as indústrias de entretenimento e moda, é um negócio de talento — as organizações (clubes) mais bem sucedidos são aqueles que melhor administram a formação, aquisição e retenção de talentos.

O conceito mais útil para um empresário é o de posicionamento estratégico do clube. Segundo Soriano, há três estratégias “time-tested” para um clube de futebol:

  1. Clubes que aspiram ser líderes e marcas globais
    No caso da Europa, clubes com mais de €200 milhões de receita e mais de um século de idade, que competem pelos melhores talentos, aspirando vencer títulos nacionais mas também os continentais e, muitas vezes, mundiais.
  2. Clubes que aspiram vencer nacionalmente, de maneira rentável
    Com ambições mais modestas, estes clubes têm finanças relativamente equilibradas e metas de vencer títulos nacionais, limitando o patamar de remuneração dos top talents. Estes clubes obtêm lucros adicionais comercializando para os times globais os talentos que excedem sua capacidade de remuneração.
  3. Clubes que se dedicam a permanecer na sua maior liga ou divisão
    Soriano afirma que este caso pode ocorrer em qualquer liga, mesmo nas mais avançadas, mas que o segredo deste nicho é uma gestão financeira cuidadosa, e riscos limitados.

 

A lição que Soriano endereça ao empresário de qualquer negócio é: o maior risco não está na seleção de um posicionamento estratégico em particular — muitas vezes forçado pela circunstância financeira — mas na clareza e coerência com que a estratégia é comunicada e executada. Clubes que mudaram muitas vezes de posicionamento e adotaram comportamentos inconsistentes são os que mais perdem dinheiro, partidas e reputação.

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