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Tools of Change for Publishing

TOCA TOC

Entre os dias 14 e 16 de fevereiro, aconteceu em Nova Iorque a quinta edição da conferência Tools of Change for Publishing, organizada pela O’Reilly Media.

TOC é uma alusão ao sumário de um livro (Table Of Contents) em inglês. O evento é dedicado às tecnologias associadas à indústria de publishing em geral. No evento, esgotado pelo 4º ano consecutivo, participaram mais de 1.300 CEOs e outros executivos de empresas que publicam livros, revistas e jornais, além de fornecedores de tecnologia e serviços.

Nesse ano, os temas principais foram relacionados à evolução do livro digital (os ebooks) e, claro, aos “apps”.

O Evento da Semana

Na quarta-feira dia 16, a feira foi tomada de sobressalto com o anúncio do pedido de falência da Borders, a segunda maior cadeia de livrarias dos EUA, que vinha sofrendo com a crise, a competição com outros grandes grupos varejistas e com a revolução que a Internet trouxe, primeiro com o e-commerce e, mais recentemente, com o e-commerce de e-books. Foi só mais um alerta sobre o tamanho da transformação que a tecnologia tem causado numa indústria, que ainda usa como referência a última grande inovação que havia sido a criação da imprensa por Gutenberg. Leia mais sobre a falência da Borders no artigo As 8 Lições da Falência da Borders.

Highlights

  • Conteúdo digital é uma realidade: tendo importância variada para cada editora, conteúdo digital não é mais uma coisa do futuro. Já é realidade. Vários fatos, com o digital representando 35% das receitas da Source Books, ou o fato da Amazon ter vendido mais livros digitais do que livros em paperback, por exemplo, comprovam essa realidade. Entre os vários data points sobre a indústria, separei alguns aqui. 120 M de pessoas nos EUA leram pelo menos um livro em 2010. 18% são heavy buyers e representam 49% das vendas de edições impressas. Esses mesmos 18% representam 61% das edições digitais. 8% dos ebook buyers não compraram um livro físico em 2010. 50% dos downloads de ebooks são de livros gratuitos. A Forrester prevê que, em 2014, 50% dos livros de interesse geral (trade books) comprados por donos de e-book readers, será em formato digital.
  • Os formatos vão evoluir: hoje, existem duas principais formas de se publicar um livro em formato digital. A transcrição da versão impressa encaminhada para a gráfica, o Portable Document Format (o PDF da Adobe) ou os formatos tipo ePUB para reflowable text. Nesses formatos, os mais comuns são o ePUB usado por quase todos varejistas e o .mobi usado pelo Kindle da Amazon, o texto se ajusta ao tamanho da tela (computador, smartphone, tablet ou leitor digital). O primeiro serve mais para imagens (revistas, livros ilustrados ou com muita diagramação, por exemplo). O ePUB se adequa muito bem a livros de romance ou de interesse geral. Durante a TOC, o ePUB3 foi anuunciado, padrão que permitirá conteúdo rico (imagens, vídeo) e interatividade, além de uma compatibilidade com o HTML5, o novo padrão para conteúdo interativo para a Web.
    É importante definir claramente o propósito de cada publicação, para que as formas de apresentação e nível de interatividade (pdf, ePUB, HTML5, apps) sejam adequados ao objetivo de negócio. Um dos fundadores do Wolfram Alpha e desenvolvedor do SW Mathematica, Theodore Gray, contou sua experiência criando ferramentas para publicar The Elements, um livro que depois foi convertido em um app interativo com informações sobre os elementos químicos.
  • O workflow tem que ser ajustado para produção digital: além de se converter o estoque de material, as empresas estão integrando a criação de conteúdo digital ao processo de produção dos livros. Não faz sentido terminar a produção impressa para depois convertê-la para edição digital. Tanto a negociação de direitos de texto e imagens, quanto o desenvolvimento da obra (e-books ou apps) deve ser planejado junto com a preparação da edição impressa. Todos os processos de aquisição de conteúdo, produção, marketing, comercialização e gestão das editoras devem ser preparados para lidar com as  versões digitais. O CEO da Ingram David “Skip” Prichard fez uma defesa enfática na sessão Now What? Embracing New Models and Rethinking the Old… para que as editoras não ficassem presas no passado e se preparassem para o futuro.
  • Seja flexível: Gus Balbontin do Lonely Planet sugere “Do not build in concrete”, tomando cuidado com o desenvolvimento de soluções complexas e inflexíveis. O mundo está mudando muito rapidamente, tanto em termos de tecnologia, quanto de hábitos de consumo. No fundo, o investimento em um CMS (Content Management System) é uma parcela pequena perto dos investimentos e custos em treinamento e produção de conteúdo. Pense no processo como um todo, não apenas no sistema a ser usado para a produção do conteúdo digital.
  • Não destrua sua fonte primária: a autora canadense, Margaret Atwood fez uma divertida apresentação The Publishing Pie: An Author’s View, lembrando 10% dos autores vivem exclusivamente da escrita, mas que várias pessoas (toda a indústria de publishing) depende de sua criatividade. Mencionou que os autores estão ganhando menos com as publicações digitais do que ganhavam com as edições impressas, mas que criar um modelo econômico saudável para os autores é essencial para a indústria.

Fonte: Margaret Atwood

Mais Informações

A indústria de publishing está passando por uma grande revolução que é a venda de conteúdo em formato digital. Na TOC, discutiu-se bastante sobre as tecnologias que estão viabilizando esta transformação. Apesar de ser uma certeza que o futuro dos editores depende do conteúdo digital, a indústria está apenas começando. O Kindle foi lançado há pouco mais de 3 anos, o nook há 1 ano, e sua versão em cores o nook color em outubro de 2010. O ipad foi lançado em abril de 2010, e o sistema de assinaturas da Apple foi lançado há 15 dias. Os formatos e os modelos de negócio ainda estão sendo definidos.

Todos os produtores de conteúdo, sejam empresas de mídia, sejam editores de livros, sejam desenvolvedores de aplicações e jogos, vão ver o seu negócio mudar radicalmente nos próximos anos. Como estamos no início, ainda há tempo para desenvolver a sua estratégia para o mercado digital. O preço para quem demorar para se adaptar ao novo cenário pode ser o próprio futuro.

Mais informações, naveguem pelo site da TOC.

 

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  • Michel Hannas

    A Random House, a maior editora de livros do mundo, acaba de anunciar que vai adotar o Agency Model (a editora define o preço ao consumidor e recebe uma parcela de cerca de 70%) nos EUA. Com isso, devemos ter livros da Random House na iBookstore da Apple. Quando será que teremos esses bestsellers em língua original no Brasil?