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Private Equity & Venture Capital em 2011 – Dores de cabeça distintas

Nos ciclos econômicos os segmentos de private equity (PE) e venture capital (VC) funcionam como os lados de uma gangorra: quando a economia vai muito bem as aquisições tornam-se raras e caras, dificultando a vida dos PEs; por outro lado, os start-ups surgem por todo lado e vários deles dão sinais promissores. Quando a economia vai mal os PEs realizam boas compras, mas os VCs começam a ver vários de seus “ovos” estragarem.

Neste sentido, 2011 será um ano um pouco singular.

Hora da faxina

Apesar de não prevermos um ano ruim, 2011 não deverá ser um ano muito fácil para o venture capital.

A razão disso é que, como tivemos uma série de anos “quentes” nessa indústria, com um número muito grande de start-ups, vários deles estão chegando a seus primeiros milestones críticos de go/no-go. E, é claro, muitos ‘won’t go’.

Isso é normal, previsível e faz parte do desenho do negócio. O problema é que, apesar do grande número de projetos recentes, o Brasil ainda é um mercado pequeno, com um grande número de players, dificultando muito a montagem de uma carteira “estatística” de projetos. Em suma: write-offs doem.

E 2011 deverá ver vários write-offs. Ou deveria ver…

Ajudando o azar

Não vamos nos iludir, contudo: muitos projetos de VC no Brasil poderiam ser melhor geridos. Algumas melhorias frequentemente mencionadas por participantes e observadores da indústria, incluem: reuniões de conselho mais focadas ou focadas nas questões mais relevantes; relações mais maduras com os empreendedores (‘mentorship’); mais rigor na aceitação e/ou refinamento ‘on-the-go’ dos planos de negócio; aportar ‘business acumen’ quando é necessário ajustar/reposicionar as premissas do negócio.

Uma parte dos insucessos que começaremos a ver em 2011 talvez pudesse custar menos ou, em alguns casos, até revertidos através de relações entre o investidor e o empreendedor-gestor mais in depth e habilidosa.

Quando a vocação conflita com a cultura

Enquanto isso, no campo do PE, as dores de cabeça serão de outra ordem, bem diferente.

O problema de aquisições viáveis, num mercado aquecido, continuará na maioria dos setores.

Isto não deveria ser um problema, porque o capital de private equity tem uma vocação muito clara e promissora, no momento que a economia brasileira está vivendo: financiar grandes projetos de infraestrutura.

Aí começam os problemas: as parcerias público-privadas não decolam; quem quer e pode se expor a grandes riscos muitas vezes busca outro tipo de capital; muitos empreendedores limitam demais o escopo de seus projetos. Enfim, ainda não há uma cultura de grandes empreendimentos privados, no Brasil. (Verdade que experiências amargas como a do setor sucro-alcooleiro, recentemente, reforçam o temor a grandes exposições).

O resultado desse apetite a empreendimentos limitado é a posição do Brasil em relação aos demais BRICs: bem atrás de China e India.

Fonte: EMPEA Industry Statistics, Out/2010

Esse gap não estava escrito nas estrelas: Brasil e India começaram a década com investimentos anuais semelhantes, mas enquanto a India disparava, a partir de 2006, o Brasil só deu um salto em 2007 e voltou a “andar de lado”. Somente em 2010 voltamos a ter um investimento de PE comparável ao da India (mesmo assim, 25% inferior).

Fonte: EMPEA Industry Statistics, Out/2010

Less of the same

Em 2011, com as incertezas políticas do primeiro ano de um governo ainda desconhecido, os empreendedores brasileiros continuarão a ‘play safe’. Mais um ano, portanto, de poucas oportunidades para o capital de private equity.

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