Table Partners

Consultoria de estratégia e liderança

Supermercado no metrô

Eu uso a internet para fazer compras de supermercado. Processo normal, listas de categorias, carrinho de compras, checkout, entrega, etc.

Mas não muito frequentemente. Por uma série de motivos, várias vezes decido ir ao mercado ao invés de comprar pela internet:

  1. A navegabilidade é pobre e lenta — pelo menos no site de um grande varejista nacional que eu uso, sócio de um varejista francês que recentemente tentou adquirir operações de um outro varejista francês concorrente
  2. Não vejo os produtos na minha frente e fico desconfiada sobre a qualidade do que vão me mandar. Admito que devo parecer essas pessoas que desconfiam de e-commerce ou que se recusam a usar cartão de crédito, mas deve ser uma coisa atávica, sinto falta de uma manifestação mais fiel do produto que estou comprando
  3. A compra demora 2-3 dias pra ser entregue, dependendo da hora que eu fecho o carrinho e às vezes não dá pra esperar

Então, como muitas partes da nossa vida, supermercado pela internet pra mim era o que era. Insatisfatório mas “assim mesmo”, sem perspectiva ou expectativa de mudança.

Eis que, do fundo do meu conformismo, recebo o vídeo abaixo sobre um serviço de compra remota da Tesco na Coreia. Um serviço tão bacana e diferente que fiquei constrangida de pensar que não tinha outro jeito de fazer e-groceries.

Caso você não queira ou possa ver o vídeo agora, basicamente eles criaram displays de prateleiras de supermercado em lugares de muito tráfego — tipicamente locais de transporte público — que representam fielmente os produtos (tamanho natural, variações, cores etc), com códigos para smartphones que, ao serem capturados, colocam o produto no carrinho de compras.

E eles prometem entrega em algumas horas e não dias.

O resultado foi ótimo (segundo eles mesmos, claro), com grandes aumentos em usuários e compras, sem aumentar o número de lojas.

É verdade que talvez aqui esse serviço não funcionasse da mesma forma e nem todas as inovações do mercado coreano se prestariam de maneira idêntica ao brasileiro ou qualquer outro. Temos menos smartphones, nosso transporte público é restrito e não tem o mesmo ambiente do coreano, etc, etc.

Mas não importa. Não vou reincidir no conformismo e dizer que aqui não dá pra fazer. Não dá pra fazer exatamente a solução da Tesco para a Coreia, mas há de ter uma solução melhor de e-groceries para a nossa realidade.

Vou ficar de olho e buscar varejistas inovadores, que estejam no mínimo tão preocupados com serviço quanto com giro e estoque.

Vote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigo
Loading...