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Crianças conectadas, pais negligentes?

Se os pais americanos estão angustiados por estes resultados, porque não fazem nada para mudar o comportamento de seus filhos? Estão sendo desatentos, ou mesmo negligentes? Ou o retrato da sobrecarga de mídia é mais complicado, mas menos assustador do que parece?

A Kaiser Family Foundation, uma fundação de pesquisa e avanço em saúde e desenvolvimento, publica a cada dois anos, um estudo sobre hábitos de consumo de mídia de jovens americanos de 8 a 18 anos. O último, publicado em 2010 mostra resultados que chocaram as comunidades, pais e escolas: esses jovens gastam mais de 7 horas por dia, em média, usando smartphone, computador, televisão e outros eletrônicos, em esquema multitarefas.

Ou seja, como destaca corretamente o New York Times: se seu filho está acordado, ele está online. Nessa ocasião, o jornal promoveu um debate com 5 especialistas em educação e desenvolvimento infantil para abordar a questão do acesso e exposição excessivas à mídia. Basicamente, se esta situação é tão preocupante, por que os pais não conseguem fazer nada? Por negligência ou impotência?

Fora as visões mais controversas – deveríamos testar os potenciais danos antes de expor as crianças, como se faz com drogas – os especialistas enfatizam a participação dos pais nesse aspecto da vida dos filhos para antecipar e protegê-las dos riscos, assim como nos outros aspectos de suas vidas.

Ou seja, assistir junto e discutir o que foi assistido; dar o exemplo de outras atividades “desplugadas” que os pais esperam ver nos filhos; e dar limites. Nada de novo. Sejam pais presentes e participantes (as opposed to negligentes), dizem os especialistas.

O que muda com o iPad nesse cenário?

Curiosamente, este estudo foi divulgado logo antes do lançamento do primeiro iPad, há um ano. Hoje eu realmente acho que este cenário mudou. Por algum motivo, a ideia de restringir o acesso e consumo de mídia para crianças perdeu um pouco de sentido no mundo do iPad, se esvaziou.

Atividades antes consideradas “nobres” de desenvolvimento infantil, como leitura, agora também podem – e serão – feitas no iPad, com potencial de uma experiência rica e envolvente, que certamente impactará o aprendizado infantil. Exemplos como o brilhante aplicativo sobre química “Elements” e o novo livro do Al Gore “Our Choice“, feitos para iPad, eliminam qualquer dúvida sobre todo um novo espectro de possibilidades que o ambiente de tablet proporciona para leitura, aprendizado e entretenimento.

As questões importantes agora, na minha opinião, não são o tempo que as crianças passam conectadas, mas de fato qual é esse conteúdo que elas estão lendo/assistindo/interagindo. São livros/filmes/jogos baratos e apelativos ou instigantes e inteligentes? Qual a diferença se essa atividade se dá no papel ou no iPad?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Até dentro das próprias escolas essas distinções devem sumir. Os educadores já discutem, sobre o livro de papel, por exemplo, se livros “fáceis” e pouco educativos como “Capitão Cueca” (uma série para garotos) ou “Querido Diário Otário” (garotas) são desejáveis porque despertam na criança o prazer de ler que, depois, será desenvolvido com leituras mais elaboradas. São discussões – acertadas, a meu ver – sobre o conteúdo, não o veículo.

A próxima discussão e pesquisa que eu gostaria de ver a Kaiser Family Foundation divulgando é sobre o que constitui um bom conteúdo digital para jovens e crianças; como é uma boa aplicação para sala de aula; como é um bom livro interativo para crianças; e assim por diante.

E você, acha que ainda devemos temer a imersão das crianças no conteúdo digital?

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