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Chega de falar de declínio da TV

Como todo ano, leio no veículo da indústria de mídia a mesma eterna manchete: “A TV ainda reina”.

O que está por trás desta manchete, que se repete como um refrão, ano após ano, tanto no Brasil como nos EUA, é a premissa de que, tal como outras mídias, em algum momento a TV aberta vai perder relevância, público e, consequentemente, publicidade, para os meios digitais (basicamente, Internet).

Essencialmente, o que essas manchetes repetem todo ano é: “Ainda não foi dessa vez que a TV caiu!”.

Não caiu mesmo, ao contrário, cresceu o faturamento em 22% em 2010. Isso já tendo mais de 60% do bolo publicitário total. Somente dois meios cresceram mais no ano passado: Internet (28%, estando agora com 4,6% do bolo publicitário) e… TV por assinatura (23% de crescimento; 3,7% do bolo). O bolo todo cresceu 17,7%, ou seja: a TV aberta e a fechada ganharam share.

O mercado mundial de TV cresceu 8,4% em faturamento em 2010.

Não caiu nem vai cair

Eis porque:

  1. Vivemos na era do audiovisual. As pessoas lêem menos porque a informação audiovisual é mais fácil e mais rápida de assimilar (e esquecer). Também na Internet o conteúdo audiovisual desloca o escrito. Parece que não porque produz-se infinitamente mais conteúdo escrito do que audiovisual e a Internet não é uma exceção. Mas se pudéssemos, a grande maioria de nós consumiria ainda mais audiovisual e menos texto. Entre outras razões, por isso a Marvel foi vendida para a Disney – há tempos os meninos trocaram os quadrinhos pelo audiovisual, de TV e de games.
  2. Vivemos na era do conteúdo gratuito. A TV aberta é audiovisual gratuito. Precisa de mais alguma explicação? Mesmo assim, aqui vão mais algumas:
  3. A publicidade na TV é fácil de comprar, de controlar e – desculpem os web-publicitários – fácil de medir resultados. Certa vez um pequeno banco de Porto Alegre colocou um comercial no horário nobre (local!), oferecendo crédito consignado, e deixou um callcenter preparado para receber as ligações. Em segundos a central do callcenter caiu e, em minutos, caiu a central da companhia telefônica na região. É fácil assim medir o resultado da mídia TV. O grande anunciante de massa, especialmente o nacional, durante muito tempo ainda vai colocar uma grande parte de sua verba nesse meio.
  4. O público que cresce e que está fazendo o consumo explodir – no mundo inteiro, não apenas no Brasil – é o que vê TV aberta, não o que lê ou passa muitas horas na Internet (apesar de passar, sim, um pouco todo dia no Orkut ou MSN).

Portanto, por favor, chega de notícias sobre o declínio da TV aberta que “ainda” não chegou. Essa história cansou.

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