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Best-seller antes de publicado

O tempo provou que quando conteúdo é digitalizado coisas surpreendentes acontecem, mesmo nos mercados mais estabelecidos – a indústria fonográfica que o diga.

Já comentamos em outro artigo, sobre o paradoxo de um livro de Neil Gaiman permanecer mais de um ano na lista dos mais vendidos do New York Times, mesmo estando disponível gratuitamente no site do autor, na Internet.

Esta semana (de 27-jun/11) ocorreu mais um fenômeno surpreendente no mercado editorial:

O livro “The Fault in Our Stars“, de John Green, ficou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos da Amazon e da Barnes & Noble, durante quatro dias… mesmo ainda não tendo sido terminado!

Isso mesmo: você pode comprar antecipadamente o livro, mas não pode lê-lo ainda, porque o autor ainda não terminou de escrevê-lo. A previsão é de que o livro esteja disponível em maio de 2012

Ainda assim, dezenas (talvez centenas) de milhares de pessoas já encomendaram o livro.

Como ele fez isso?!

Nada disso foi graças ao trabalho do editor – o livro teve rigorosamente zero de investimento em marketing e divulgação.

O fenômeno deve-se integralmente à multidão de fãs que o autor, John Green, conquistou na Internet. Ele e seu irmão, Hank, são celebridades online.

Em seu canal do YouTube, Vlogbrothers, eles já postaram quase 900 vídeos desde janeiro de 2007. Estes vídeos já foram exibidos 147,6 milhões de vezes! Green tem mais de um milhão de seguidores no Twitter e posta regularmente em quase uma dezena de páginas/blogs e redes sociais. Este ano Green teve seu primeiro filho e já está viajando regularmente com sua esposa e o bebê.

No final das contas, o que realmente surpreende é como ele encontra tempo para escrever livros – o primeiro foi publicado em 2005 e ‘The Fault in Our Stars” é o sétimo.

Depois de semanas de suspense, no diálogo com sua comunidade de seguidores, sobre qual seria o título de seu próximo livro, na tarde desta terça-feira (28-jun/11) Green anunciou o título “The Fault in Our Stars” nas várias redes sociais. Uma hora depois postou seu vídeo costumeiro no Vlogbrothers, anunciando que autografará todos os exemplares da primeira edição, encomendados antecipadamente.

Como o livro ainda aparece sem capa na Amazon e na Barnes & Noble, seguidores de Green começaram a enviar e postar centenas de sugestões de capas (algumas de excelente qualidade).

Às 9h da noite o livro chegou a primeiro lugar na Amazon e, às 10h, na Barnes & Noble, aí permanecendo por quatro dias.

Deu no Wall Street Journal

O “fenômeno Fault in Our Stars” gerou matéria no WSJ.

Segundo jornal, “em apenas poucos anos, a capacidade de usar redes sociais como um megafone literário passou de um adendo a foco da maioria dos esforços de marketing dos editores”.

“Todo mundo agora está focado nisso, porque quando funciona, pode ser um estouro”, diz Tim Duggan, editor executivo da editora Harper Collins.

“The Fault in Our Stars” está sendo, definitivamente, um estouro.

A pergunta que não quer calar…

… é:

Se, no mercado editorial digital, o autor cria, sozinho, seu próprio público e chega a número um de vendas; os leitores fazem a arte do livro; a venda digital dispensa impressão e distribuição físicas… Para que serve o editor?

Da resposta a esta pergunta vai depender o futuro da indústria editorial.

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