Table Partners

Consultoria de estratégia e liderança

Auto-expressão é o novo entretenimento

A observação é de Arianna Huffington, no Info@trends, hoje pela manhã.

Arianna é CEO do site de notícias Huffington Post, fundado por ela em maio de 2005 e vendido à AOL, por US$ 315 milhões, em fevereiro deste ano. Recentemente o Huffington Post atingiu a impressionante marca de 100 milhões de comentários postados por leitores em seus artigos. Observação: cada comentário é triado por um sistema automático e lido e moderado por um jornalista, antes de ser publicado.

Considerada uma das pessoas mais influentes do mundo de mídia, Arianna fez diversas outras colocações importantes para o empresário de mídia, em sua palestra de hoje:

Relação com o público e sua auto-expressão

“Por que nós acreditamos que ficar sentado em frente à TV era entretenimento? As pessoas estimulam-se muito mais expressando-se e sendo ouvidas.”

“Quando o Twitter surgiu eu era cética – por que as pessoas se interessariam sobre o que as outras estão fazendo? Mas o Twitter não é a narrativa do que você está fazendo; é a narrativa do que você está pensando e aprendendo.”

“O papel do editor é mais importante hoje do que nunca. Nós deveríamos fazer a curadoria de cada aspecto da experiência digital do público.”

O mundo digital e o negócio de mídia

“A mídia do futuro será aquela que combinar as melhores qualidades do jornalismo tradicional com o melhor da tecnologia: integridade, profundidade, credibilidade combinadas com transparência, interatividade e story-telling.”

It’s all about engagement – sucesso em mídia digital é de quem consegue engajar mais o seu público.”

“Ao contrário das mídias tradicionais, que passam rapidamente de uma história para outra, no Huffington Post nós sofremos de ‘transtorno-obsessivo-compulsivo’: nós nunca largamos uma história. Nós usamos todas as plataformas disponíveis – nosso site, Twitter, Facebook – para mostrar que a história é relevante e que vamos manter a cobertura até que algo aconteça. Isso é uma vantagem que somente a mídia digital permite.”

“Comunidades do Twitter boicotaram produtos que anunciavam no News of the World. Esses anunciantes suspenderam suas campanhas no jornal semanas antes do que seria de se esperar, por causa dessas comunidades. O ambiente digital acelera mudanças no mundo offline.”

“Eu aprendi que, como em qualquer negócio, três coisas são imperativas no negócio de mídia: gerar lucro (caso contrário você não poderá continuar no negócio), gerar impacto social e divertir-se ao longo do caminho.”

“Eu não vejo o mundo em termos competitivos – não vejo as coisas como ‘ou-isto-ou-aquilo’ – mas em termos de ‘isto-e-aquilo’, como num mundo inter-conectado.”

Limitações da Web e a importância de desligar-se diariamente

“No Huffington Post nós somos apaixonados pelo sono e a importância de dormir. Quando dormimos nós nos reconectamos com nós mesmos e, assim, nos tornamos mais criativos.”

“A Web é muito boa quando se trata de ciência, dados, informação, inteligência… Mas não é boa quando se trata de sabedoria. Nós vemos nossos líderes, em todo o mundo, tão inteligentes, informados, dormindo pouco… e tão pouco sábios. Por isso tomam decisões erradas. Nós estamos nos afogando em opiniões, mas falta sabedoria.”

Brasil

“O mundo inteiro está interessado em aprender com o Brasil – como vocês superam dificuldades, como vocês fazem as coisas aqui. Por exemplo: no Brasil há uma agenda nacional, informal e compartilhada, de que é preciso incorporar a classe pobre à classe média – que este é o único caminho para um crescimento sustentável. Quando olhamos para os EUA vemos uma polarização política em que os dois lados defendem posições extremadas, ao invés de preocuparem-se em realmente resolver o problema da pobreza e do desemprego.”

“Estamos conversando e avaliando parceiros potenciais, para trazer o Huffington Post para o Brasil. Teremos um parceiro, mas todos estão convidados, se quiserem publicar seus blogs em nossa plataforma, mesmo nos EUA.”

Vote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigo
Loading...
  • Fernanda Gomes

    É interessante este ângulo do entretenimento ser uma ação e não uma atitude passiva. Respeito esta afirmação porque realmente vejo inúmeros atos de expressão à minha volta — os updates do Facebook são um ato de expressão, e faz sentido que as pessoas estejam curtindo — sem trocadilho, no sentido de entretenimento — aquele ato.
    Mas fico pensando se trata-se de uma característica de geração e eu estou fora da faixa etária em questão. Porque o meu entretenimento ainda é bastante passivo, no cinema ou na TV — ou até no YouTube, quando fico buscando e assistindo videos por lá.
    Eu ainda considero assistir televisão entretenimento. Será que isso é “coisa de velho”?

  • Mauro Mello

    Sabe, Fernanda, eu acho – e espero – que venha a ser, sim, “coisa de velho”.

    A nossa é a geração da rua insegura, dos prédios/condomínios de acesso controlado (e poucas crianças).

    Mais tarde, fomos a geração dos workaholics, dos urbanoides.

    Alguns, mais corporais, fizeram do jogging, da academia de ginástica, entretenimento. Mas dá para fazer cerâmica, marcenaria, jardinagem, no apartamento? A maioria de nós acabou abdicando do entretenimento-do-fazer, em favor do entretenimento passivo, disponível sem ter que sair de casa.

    Ser “ativo” na Web não resolve o problema da atividade física, mas ao menos a mente pode recuperar o prazer do fazer. E acho que isso será uma tendência das próximas gerações.

    Como disse Kevin Kelly, “when you grow up knowing rather than admitting that such a thing as the Wikipedia works (…) — then this assumption will become a platform for a yet more radical embrace of the commonwealth. I am convinced that the full impact of the Wikipedia is still subterranean, and that its mind-changing power is working subconsciously on the global millennial generation.

    Eu também acredito que essa geração, que nasceu no mundo pós-Wikipedia, é profundamente diferente da nossa. Acredito e espero.