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Seu CEO tornou-se maior do que a empresa – O que você faria?

A família Murdoch, controladora de um dos maiores conglomerados de mídia do mundo, a NEWS CORPORATION, está com um problema.

Roger Ailes, presidente de uma de suas empresas mais rentáveis — o canal de TV a cabo FOX NEWS — tornou-se uma força política nos EUA e, no processo, transformou a empresa em um veículo de influência de seu ideário, marcadamente conservador.

O próprio Rupert Murdoch nunca hesitou em usar seus veículos de comunicação para promover partidos, candidatos e ideais com os quais se identifique. Portanto, por si só, a postura de Ailes não seria um problema muito grande, não fosse por três agravantes:

  • Como consequência de seu posicionamento, a Fox News é, hoje, o principal veículo de oposição ao presidente Obama — uma posição bastante impopular junto a uma boa parte do público e, mais ainda, junto ao governo americano

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  • Os demais membros da família, atuantes na governança da empresa têm posicionamento político muito mais liberal e abominam o posicionamento de Ailes e da Fox. Elizabeth, filha de Murdoch e ex-executiva do grupo, por exemplo, foi a maior arrecadadora de verbas para a campanha eleitoral de Obama, no Reino Unido
  • Além de uma figura de grande projeção política e, portanto, de difícil “descarte”, Ailes foi quem construiu do zero a Fox News e a tornou o canal de TV paga mais rentável dos EUA e um importante gerador de caixa para o grupo. Há uma dívida de gratidão da corporação, pelo seu excelente trabalho

O que você faria, agora, caso fosse acionista da News Corporation? Você pressionaria o presidente do grupo (i.e. seu pai ou seu sogro Rupert Murdoch) a demitir ou aposentar Roger Ailes?

Se você fosse Rupert Murdoch, você cederia a essa pressão?

Deixe seus comentários no espaço ao final desta página!

Para ajudá-lo em sua reflexão, traduzimos e resumimos abaixo um artigo recente do New York Times sobre o tema.

(Comente também se você acha que esse artigo é parte das muitas manobras, agora em andamento, de ataque e de defesa de Ailes. Ou já será um “honroso presente de despedida”, para o executivo? O que você acha mais provavel?)

O Líder da Fox no auge da Mídia e Política

Por DAVID CARR e TIM ARANGO

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No outono de 2008, Roger Ailes, líder da Fox News, foi ao seu chefe, Rupert Murdoch, com duas queixas: ele ouvira dizer que Murdoch estava considerando endossar Barack Obama para presidente, em seu jornal The New York Post, e lera na revista Vanity Fair o trecho de um livro, sugerindo que Murdoch, por vezes, constrangia-se com as tendências de direita da Fox News.

Ailes ameaçou demitir-se, relatou uma pessoa familiarizada com o assunto. Ao invés disso, Murdoch recompensou-o com um novo contrato mais lucrativo — ele ganhou US $ 23 milhões no ano passado, entre salário, bônus e outras remunerações, mais do que Murdoche o The New York Post endossou John McCain.

Em uma entrevista no final de dezembro em seu escritório na sede da News Corporation, em Midtown Manhattan, Ailes admitiu que se opusera ao endosso de Obama:

“Eu não achava que ele tinha a experiência necessária”…

…disse Ailes, acrescentando: “eu não digo a Rupert Murdoch quem endossar.”

Ele ficou indignado com o artigo da Vanity Fair, mas disse que “não exigiu nada” e que não ameaçou demitir-se. E que não precisava fazê-lo. “Se você está faturando e bateu suas metas durante cinco anos, você não precisa exigir um novo contrato”, disse ele.

Certamente, Ailes está faturando. Num momento em que as redes de televisão estão sofrendo com a diminuição de audiências e de lucros em noticiários, ele transformou a Fox News na locomotiva de lucros da News Corporation. Acredita-se que a Fox News fatura mais do que a CNN, MSNBC e os noticiários noturnos da NBC, ABC e CBS combinados. A divisão deve alcançar US $ 700 milhões em lucro operacional este ano, de acordo com estimativas de analistas, as quais Ailes não contesta.

Este enorme sucesso colocou Ailes, um agressivo ex-estrategista político republicano, no auge do poder em três avenidas da vida americana: negócios, mídia e política. Além de ter sido a pessoa melhor remunerada na News Corporation no ano passado, ele é o executivo de noticiários de maior sucesso dos últimos 10 anos, e sua rede exerce uma forte influência sobre o enfraquecido movimento conservador americano.

Efeito Fox

Barack Obama disse em entrevista à The New York Times Magazine, em outubro de 2008, que o efeito “Fox” custara-lhe dois a três pontos nas pesquisas. Desde a eleição, Ailes e sua corte de âncoras conservadores, tais como Glenn Beck, Bill O’Reilly e Sean Hannity foram navegando uma onda de insatisfação, que às vezes os opõe à ala principal do Partido Republicano, mais recentemente ao defender um candidato independente no 23º Distrito Congressional em Nova York. O candidato republicano se retirou da disputa.

“Independentemente de você gostar do que ele está fazendo, Roger Ailes é um dos talentos mais criativos de sua geração. Ele construiu um império de mídia que é capaz de conduzir o diálogo, e, às vezes, o processo político “, disse David Gergen, um analista da CNN, que foi assessor de governos democratas e republicanos.

Murdoch, na declaração de um porta-voz, disse: “Estou orgulhoso da Fox News e do que ela está realizando, e sou grato ao Roger e sua equipe por criar tamanho ativo para a News Corporation.”

A abordagem de Ailes não o opôs somente aos democratas

Ele enfreta oposição também entre os membros mais liberais da família do seu chefe.

Ele teve uma participação notória na decisão de Lachlan Murdoch, filho mais velho de Murdoch, de deixar a companhia em 2004, julgando que Ailes invadia sua alçada corporativa. Dois outros filhos de Murdoch, Elisabeth, uma produtora de televisão em Londres, e James, o único herdeiro que trabalha na empresa, simpatizam com o partido democrático e freqüentemente, durante a campanha presidencial do ano passado, expressaram preocupação sobre a cobertura de Obama da Fox News a seu pai.

Na entrevista, Ailes disse que tanto o Sr. Murdoch, quanto a News Corporation haviam apoiado consistentemente a Fox News e sua abordagem.

Ailes, filho de um capataz na fábrica Electric Packard em Warren, Ohio, descreveu a sua formação com três palavras: “Deus, Pátria, Família” e disse que o credo foi responsável pelo sucesso da Fox News.

“Eu construí esse canal de minha experiência de vida”, disse Ailes, 69. “Minha principal qualificação é não ter cursado a Columbia Journalism School. Não há uma só festa nesta cidade que eu queira ir. “

Ailes formou-se em rádio e televisão na Ohio University e trabalhou para o “The Mike Douglas Show”, onde aos 27 anos ele conheceu o então candidato a presidente Richard M. Nixon, em 1968.

Uma noite em 1969

Enquanto Neil Armstrong andava na lua, Ailes estava dentro do Salão Oval, dispondo uma tela sobre a mesa do presidente. No ano seguinte, Ailes foi enviado ao Havaí em antecipação à tentativa da conturbada missão Apollo 13 para retornar à Terra. Ele preparou dois eventos em hangares adjacentes: um funeral e uma cerimônia de boas-vindas para casa. A Apollo 13 retornou em segurança.

Depois de servir como consultor de comunicação para políticos e executivos, Ailes dirigiu a rede de negócios CNBC, no início de 1990.

Ailes começou a Fox News em 1996 e enfrentou o ceticismo de que jamais poderia ser um rival à CNN, quanto mais atingir a liderança de audiência e lucros atual. Até 2002, a rede lucrou muito pouco, disse Michael Nathanson, analista da Sanford C. Bernstein & Company. Hoje, os vastos lucros garantidos por tarifas crescentes da TV a cabo fazem dela “provavelmente, o ativo mais importante da News Corporation”, disse ele.

“Eu construí este negócio para gerar um bilhão de dólares em lucro”, disse Ailes. “Esse foi o objetivo a partir do Dia 1. Na minha própria mente “.

Em certo sentido, o intercâmcio de inteligência com representantes do partido seria um rebaixamento para Ailes. “Ele entende a mídia, a política e o povo americano melhor do que ninguém na era moderna”, disse Newt Gingrich, o ex-presidente da Câmara.

Mesmo adversários políticos de Ailes compreendem a influência do que ele construiu na Fox News.

“Se ele fosse um democrata, creio que não haveria 67 senadores democratas agora”, disse o consultor político James Carville, assessor de Clinton e um convidado freqüente na CNN. “Em termos do negócio de notícias, o negócio de televisão a cabo, e política, ele está a milhas de distância de todos os outros.”

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