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Consultoria de estratégia e liderança

Dilma, Serra e Chapeuzinho Vermelho

Quanto mais velho fico, é inevitável, mais digo a palavra “depende”. Mas, em meio a tantos “depende”, algumas verdades vão se ressaltando. Uma delas é: o bom líder deve saber se comunicar. Outra: boa comunicação tem uma mensagem principal clara e profunda o suficiente a ponto de gerar interesse nas mensagens subordinadas.

Explico através dos candidatos a líder do país:

Dilma tem uma mensagem principal claríssima: sou a herdeira do Lula. Quem reclama desta proposta não gosta nem de Dilma, nem de Lula. Mas, para quem gosta do Lula, a mensagem é um primor em clareza e eficácia.

Serra vacila entre o bom Ministro da Saúde e aquele que continuará a obra de Lula, mas melhorará o que está bom (como assim?). Já comunicou algo tão sofisticado quanto a ligação das FARC com o PT e agora parte para um patético “Zé”, na esperança de ser identificado como alguém tão do povo quanto Lula. Cai a cada nova pesquisa de opinião. Cai porque não tem uma boa e simples mensagem e, por isto, muda de mensagem a toda hora.

Enquanto a seguidora, a herdeira, a detentora do bastão do Lula sobe consistentemente nas pesquisas. Sobe porque outras mensagens subordinadas se estabelecem automaticamente na cabeça das pessoas. Serra tem que dizer que não acabará com o Bolsa Família e nem todos acreditam. Dilma é a garantia da manutenção e até da ampliação do programa. Afinal – eis a mensagem principal martelando de novo – ela é a indicada pelo Lula.

A técnica da boa mensagem principal não é novidade. Os irmãos Grimn e Walt Disney contaram histórias que terminavam com a mensagem principal, a “moral da história”. Por exemplo, a moral da história de Chapeuzinho Vermelho é: obedeça sua mãe. Tudo que acontece, lobo mau, lenhador, doces para vovozinha, tudo está a serviço de mostrar para as criancinhas que elas devem obedecer às respectivas mães.

A diferença é que crianças ouvem histórias centenas de vezes e as narrativas, tanto dos Grimn quanto de Disney, revelam a moral da história no fim. No mundo das empresas ninguém ouve uma história mais do que uma vez e, por isto, convém dizer a mensagem principal logo no início e formulá-la de maneira ao público alvo perceber benefícios e se interessar em ouvir toda a história.

Em uma apresentação corporativa eu iniciaria a história de Chapeuzinho Vermelho assim: obedecer a sua mãe aumenta seu EBITDA em 20%. Todos iriam querer saber a respeito de lobos maus, caminhos da floresta, pela estrada afora eu vou bem sozinha.

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