Table Partners

Consultoria de estratégia e liderança

Desculpa aí. Foi mal.

Como profissional que prepara apresentações para terceiros  sou uma pessoa que tem muitas idéias e implementa poucas. A disparidade entre concepção e implantação se explica porque antes de executar a mais recente idéia, surge uma nova que desvia meu esforço. Deixemos este problema para meu psiquiatra, talvez, resolver e foquemos em uma idéia que tive que, para sucesso da conta bancária de meu psiquiatra, deixei de lado depois que tive outra idéia sobre outro assunto.

Imaginei abrir um site cujo nome seria www.desculpaaifoimal.com.br. O site seria o depositário das bobagens que as pessoas fizeram. Em meu hipotético veículo elas pediriam desculpas pelo mal causado. Além do benefício de retirar a culpa das costas de quem cometeu o(s) erro(s), o site teria uma vantagem adicional sutil que merece um parágrafo à parte.

Pensando na audiência do Big Brother Brasil (é com z ou com s?), imaginei que muita gente iria gostar de entrar no site para verificar as mancadas alheias. Supus também que, com o hábito de bisbilhotar os pecados dos outros, estes freqüentadores do site que são movidos pela curiosidade iriam, pouco a pouco, constatar que todos erram e feio. O subproduto desta constatação seria a análise dos próprios atos e – sei que estou sendo otimista, mas sou mesmo – passariam a admitir que também erram. Ato contínuo, iriam depositar seus relatos no site www.desculpaaifoimal.com.br, realimentando processo.

O principal anunciante do site deveria ser uma empresa focada em responsabilidade social. Porque alguém admitir que errou é socialmente responsável. Quando se erra e se tenta esconder a bobagem feita, erra-se várias outras vezes. Muitas mentiras têm que ser contadas ou muitos assuntos têm que ser evitados. Os assuntos evitados acabam indo muito além daquele específico do erro, porque as mentiras contadas geram outros assuntos a serem evitados.

Publicar um depoimento no site www.desculpaaifoimal.com.br significa conjugar o verbo “errar” na primeira pessoa do singular. Uma vez declarado “eu errei”, a pessoa ficaria livre da carga de esconder o erro e passaria a exercer uma atividade mais construtiva, mais útil para a sociedade.

Com isto se evitaria uma história que ouvi sobre Oswaldo Brandão, um técnico de futebol da década de 70, que nas entrevistas após o jogo, tinha três afirmações já prontas para dizer.Ou ele declarava “eu ganhei”, ou “os jogadores perderam” ou “os jogadores e eu empatamos”.

Vote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigo
Loading...