Table Partners

Consultoria de estratégia e liderança

Como lidar com a repercussão do iPhone 4

Primeiro veio o vazamento, com alguém esquecendo um aparelho em cima de uma mesa de bar. Depois um lançamento surpreendente, com volume de vendas recorde , 1,7 milhão de unidades vendidas em 3 dias. Só para comparar, o sucesso anterior da Apple, o iPad vendeu 3 milhões de unidades, mas em 80 dias.

Aí vieram os problemas, principalmente relacionados à percepção de qualidade de recepção de sinal. Criaram até um termo, o death grip, referindo-se a uma maneira de segurar o produto que atenua demasiadamente o sinal. Os competidores estão amando a possibilidade de atacar a Apple após tentarem, sem muito sucesso, por 3 anos lançar um produto que possa competir com o iPhone.

A Consumer Reports disse que não vai recomendar o produto aos consumidores. A Apple primeiro negou o problema, pedindo que os usuários evitem segurar o produto de uma certa maneira ou comprem uma capa para o aparelho (o que quase todos já fazem mesmo), depois mandou uma nota mais estranha ainda mencionando que havia errado a fórmula de cálculo de sinal de rede…

Antennagate

Parece que a Apple está brincando com uma coisa muito séria, a sua reputação. Em vez de enfrentar o problema, parece que quiseram contorná-lo. A principal lição para empresas em momentos de crise é serem rápidas em admitir o problema, pedir desculpas e apresentar uma solução aos seus clientes. No caso da Apple, eles são mais que clientes, são devotos da marca. Talvez por isso, talvez pelo sucesso do iPhone, a repercussão sobre o assunto está tomando tamanha proporção. Aguardamos então o pronunciamento da empresa no dia 16 de julho às 10h da manhã, na Califórnia.

Até a The Economist  falou sobre o antennagate.

O que o Jobs disse?

Entra Steve Jobs para falar sobre a questão com jornalistas. Começou bem, pediu desculpas. “Não somos perfeitos.” Depois coloca o problema não só nele, mas em todos os outros telefones da indústria. “Mas os telefones também não são” (perfeitos). Após uma comparação da redução do nível do sinal e de uma série de dados comparativos com o desempenho do iPhone 3GS  (ligações para o AppleCare, drop calls na AT&T, early returns), conclui que o iPhone 4 é melhor que o 3GS. Termina dizendo que não existe o Antennagate e ofertas de um software fix para o cálculo do número de barras de sinal, uma capa gratuita para cada comprador evitar o contato da mão com o metal da antena e um full refund caso exista alguém ainda insatisfeito.

O fechamento é uma declaração de amor aos consumidores: “We love our users”. Não sei se vai ser suficiente para agradar aos consumidores ou quanto do que o Jobs está dizendo quanto ao desempenho comparativo do iPhone 4 com outros smartphones é verdade.

Eu confesso que gostei de ver o CEO enfrentando o problema de frente e apresentando algumas opções concretas aos consumidores, mas, por enquanto, vou continuar com um Android e um 3GS.

Vote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigo
Loading...
  • Michel Hannas

    A força da cultura da Apple é realmente impressionante. Nesta semana Mark Papermaster, Senior VP of Devices Hardware Engineering, responsável pelo projeto de HW do iPhone 4 saiu da Apple. Alguns analistas desavisados imputaram a sua saída ao Antennagate, mas parece que ele simplesmente não se adaptou ao choque de cultura que é trabalhar na Apple, uma empresa única, de produtos surpreendentes, mas com uma cultura singular. E nem todos, mesmo executivos de alto desempenho, se acostumam a isso.

  • Mauro Mello

    Obrigado pela “cobertura” timely do Antennagate, Michel.

    Pergunta: você tem notícia se algum ‘incumbent’ – Motorola, Nokia… – está fazendo um bom trabalho, de aproveitar esse momento de vulneravilidade da Apple? Alguém está fazendo um ‘splash’ com o Antennagate e ganhando ao menos share-of-mind?

    Eu, pelo menos, não estou percebendo.