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Consultoria de estratégia e liderança

Como aprendi Economia – Parte 1

Muitos executivos são engenheiros e, entre os consultores, os engenheiros são a maioria esmagadora. Eu também sou engenheiro e, ao contrário de quase todos os meus colegas, minha pós-graduação foi em Matemática, não em Administração.

Por essa razão, muitas pessoas que trabalham comigo costumam se surpreender com meus conhecimentos de Finanças. É quase certo que eu entenda mais de Finanças do que de Economia, mas a verdade é que eu aprendi Finanças pelo caminho mais duro e convencional: primeiro aprendendo Contabilidade na grande escola que era a Esso Brasileira de Petróleo, depois dedicando cerca de dois anos a entender cada frase do fantástico livro de Brealey e Myers Principles of Corporate Finance.

Não há uma história interessante para contar aí.

Mas com Economia foi diferente.

Entrando pela janela

Em fevereiro de 1984, quando o CFO da Anderson Clayton do Brasil voltou de férias descobriu, irritado, que seu Diretor de Planejamento havia preenchido a posição de Analista de Planejamento Econômico-Financeiro contratando um garoto recém-formado, de 21 anos de idade. O Diretor não sabia que seria transferido para outra área e a contratação, na verdade, era de seu substituto.

Texano e pragmático, o CFO adaptou-se à situação e transformou o analista júnior – que era eu – em seu Assessor-Para-Qualquer-Assunto. Ele não falava uma palavra de português e, com a saída do Diretor de Planejamento, entre seus subordinados somente eu e o Tesoureiro falávamos inglês.

Foi, para mim, uma experiência de seniorização-relâmpago.

A Anderson Clayton no início dos anos 80 era um ambiente extremamente amigável, dominado por executivos que, em sua maioria, trabalhavam na empresa há mais de 20 anos. Um deles estava iniciando o processo de uma segunda aposentadoria pela mesma empresa! Esses “avôs” acolheram o “gerente-moleque” e foram extremamente amigos comigo.

O Tesoureiro, George Palmgreen, por exemplo, percebendo minha dificuldade com planejamento econômico – a Anderson Clayton era uma das maiores operadoras internacionais de commodities agrícolas e oscilações econômicas eram parte do dia-a-dia da tomada de decisões – me deu de presente o primeiro livro de economia que eu devorei de capa a capa e que me iniciou, com o pé direito, no assunto: The Irwin Guide to Using The Wall Street Journal de Michael Lehmann.

Por essa janela lateral, eu entrei no campo da Economia.

Vendas perenes

Eu fico feliz de ver que, depois de 25 anos de mudanças radicais na tecnologia, na sociedade e nos mercados, na ciência econômica e na mídia financeira, o livro de Lehmann ainda é, nas palavras da Amazon.com, um “perennial seller“. Agora mesmo, escrevendo esta resenha, acabo de encomendar um exemplar da sétima edição, de 2005, para substituir a minha sexta, de 1999. (A edição em que estudei – a primeira, de 1984 – está, é claro, guardada pelo valor sentimental).

O objetivo desta “cartilha” sobre o funcionamento da economia e dos mercados financeiros, não é apenas ajudar os leitores a apreciarem melhor o WSJ, mas ajudá-los a compreender mais claramente o que lêem ali: identificar eventos que afetam os mercados, acompanhar os ciclos de negócios, encontrar fatos, números e informações vitais.

Seu imenso valor é o pragmatismo: se você não prestar atenção, não vai perceber que há conceitos teóricos sendo explicados, porque TUDO é exposto no contexto de como utilizar o Wall Street Journal para o trabalho diário de entender o que exatamente, factualmente, está acontecendo na economia.

Ele traz, por exemplo, um apêndice com todos os indicadores econômicos que o WSJ acompanha, suas datas de publicação e o capítulo do livro em que o tema daquele indicador é tratado.

Por exemplo: às quintas ou sextas-feiras da penúltima semana de cada mês o WSJ publica a estatística de ‘Encomendas de Bens Duráveis’. O capítulo 15 (“Business Capital Expenditures”) ensina como usá-la para entender para onde está indo a economia. Há o mesmo para outros 86 indicadores: lançamentos de ações small-cap na NASDAQ (publicação diária, capítulo 9); principais taxas de juros (toda terça-feira, capítulos 11 e 12); vendas de veículos novos (todo dia 5, capítulo 6); etc.

Com isso eu pude montar um painel diário, semanal e mensal das forças que impulsionam a cotação das commodities agrícolas e seus efeitos prováveis.

Nada mal para um garoto recém-saído da faculdade de engenharia e da adolescência.

Professor de toda uma geração

Quando O Guia (como eu o chamo) foi publicado, em 1984, os day-traders de futuros, no mundo todo, operavam um volume menor do que as vendas de cartuchos Atari. Duzentos e cinquenta mil exemplares depois, seu autor, Michael Lehmann, professor de Economia da Universidade de São Francisco, continua a ministrar um seminário de muito sucesso, que desenvolveu em torno de seu livro.

Parabéns e muito obrigado a ele!

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