Table Partners

Consultoria de estratégia e liderança

As práticas que diferenciam as empresas geridas pelos fundos de private equity

Em outro artigo, sintetizamos os resultados de um estudo do World Economic Forum, sobre a qualidade da gestão das empresas controladas por fundos de private equity (PECs). O estudo concluia que, apesar dos sócios do fundo não estarem diretamente à frente das empresas controladas, a gestão dessas empresas é significativamente melhor do que a dos demais tipos de acionistas/controladores, especialmente empresas familiares e geridas pelo fundador.

Mas, quais são as práticas das PECs, que os acionistas e conselhos podem implementar em suas empresas, para elevar seus resultados e sua longevidade?

O estudo do World Economic Forum avaliou a qualidade da gestão e os resultados de 4 mil empresas, em 12 países, segundo 18 práticas de gestão, de que podemos classificar em 6 categorias:

.
1. METAS DESAFIADORAS E COM PRAZOS DEFINIDOS

A maioria das empresas segue uma rotina anual de planejamento e estabelecimento de metas. As PECs negociam metas – agressivas – para um período fixo (em geral de 4-5 anos) e é o atingimento dessas metas – que NÃO são revisadas todo ano – que resultará em bônus (atraentes) para o management. O planejamento anual não é uma rotina – é uma corrida contra o relógio, que tem data certa para terminar.

A equipe do World Economic Forum avaliou duas práticas de gestão, nessa categoria:

  • O grau de desafio (dificuldade) das metas de longo prazo
  • A existência de um período definido, de vários anos, para o atingimento dessas metas, sobrepondo-se, em prioridade, às metas anuais

Sua empresa adota essa abordagem, em seu processo de planejamento?

.
2. CLAREZA ORGANIZACIONAL

Metas agressivas de longo prazo não se traduzem em resultado, se não houver um entendimento claro, por toda a equipe gerencial, do que se deve fazer, hoje, para atingir as metas de longo prazo.

A equipe do World Economic Forum avaliou 3 práticas de gestão, nessa categoria:

  • A existência de metas claras (financeiras e não-financeiras) para todo o nível gerencial
  • O entendimento claro, pelos gerentes, da relação entre suas metas e as do presidente (isto é, da empresa como um todo)
  • A capacidade de todos os gerentes saberem como está sua própria performance, em relação às suas metas, de curto (anuais) e longo prazos (4-5 anos)

Essas práticas parecem bastante simples e guiadas por puro bom senso, não é? Como você avalia a sua empresa, no emprego dessas três práticas?

.
3. AVALIAÇÃO E DISCUSSÃO DE DESEMPENHO

Entre as práticas de gestão mais universalmente consideradas de alto impacto nos resultados, a avaliação periódica de desenpenho (semestral ou anual) talvez seja a menos encontrada nas organizações. Agregando mais uma confirmação a esse paradoxo, o estudo do World Economic Forum descobriu que essa é a categoria de práticas em que as empresas geridas por PECs mais se diferenciam das demais.

A equipe do World Economic Forum avaliou 3 práticas de gestão, nessa categoria:

  • A mensuração regular de indicadores de performance (KPIs – key performance indicators), em todas as áreas da organização
  • A regularidade do processo de discussão de desempenhos, em todas as áreas da organização
  • A qualidade da discussão (de feedback e de tomada de decisões) sobre os desempenhos das áreas e indivíduos

Observação interessante: essa última prática – “discussão (de feedback e de tomada de decisões) sobre os desempenhos” – foi aquela em que os PECs obtiveram melhor “nota”, em comparação com as demais empresas.

Sua empresa tem um processo regular – semestral ou anual – de avaliação e discussão de desempenhos? Como é a qualidade das reuniões de feedback? E das discussões sobre as consequências das avaliações? Você, acionista, e seu conselho recebem uma síntese do processo? Você e seus conselheiros sabem quem são os “campeões de performance”, em todos os níveis da organização? Sabem que áreas estão tendo maior dificuldade de desempenho?

.
4. ACCOUNTABILITY E PREMIAÇÃO

Para que a avaliação e discussão de desempenhos cumpra plenamente sua finalidade, é preciso que ela tenha consequências: campeões de performace precisam ser premiados e performances insatisfatórias precisam gerar ações (treinamento, mudanças de organização ou mesmo demissões).

A equipe do World Economic Forum avaliou 4 práticas de gestão, nessa categoria:

  • A conexão entre o sistema de premiação e bonificação e o processo de avaliação e discussão de desempenhos
  • A conexão entre promoções e carreiras individuais e a avaliação de desempenho
  • A existência de consequências para desempenhos insatisfatórios
  • A regularidade e consistência de demissões de profissionais de desempenho sistematicamente insatisfatório

Mais uma curiosidade interessante: nas duas últimas práticas – “consequências para desempenhos insatisfatórios” e “regularidade e consistência de demissões de desempenhos  insatisfatórios” – a diferença (superioridade) dos PECs, em relação às demais empresas, foi 3 vezes maior do que nas outras duas (bonificações e promoções). Isso indica que as empresas em geral são eficientes em premiar e promover talentos, mas são muito ineficientes em tratar maus desempenhos e demitir ‘under-performers’.

Sua empresa é eficiente na ação sobre o bom e sobre o mau desempenho?

.
5. OPERAÇÕES E PROCESSOS

Metas e avaliações de desempenho não seriam úteis, se não resultassem em superioridade operacional. De fato, as empresas geridas por PECs tiveram, em média, sua segunda melhor avaliação nesta categoria (depois da categoria 3 – “Avaliação e discussão de desempenho”).

A equipe do World Economic Forum avaliou 3 práticas de gestão, nessa categoria:

  • Emprego de técnicas de lean manufacturing e outras de eficiência de processos
  • Clareza das razões práticas para adoção das técnicas modernas de produção
  • Regularidade na melhoria contínua dos processos

Como os problemas de processo, em sua empresa, costumam ser identificados e corrigidos?  Seus funcionários costumam sugerir melhorias de processos, que frequentemente são implementadas?

.
6. GESTÃO DE TALENTOS

Não é surpreendente a frequência com que presidentes e acionistas repetem o cliché “nosso maior ativo são as pessoas”, quando a maioria das empresas tem práticas tão rudimentares de gestão de talenos?

A equipe do World Economic Forum avaliou 3 práticas de gestão, nessa categoria:

  • O grau de comprometimento dos gestores, com o processo de identificação e atração de talentos
  • A clareza de entendimento, pelos gestores, dos diferenciais e fraquezas da organização, na atração de talentos
  • O empenho da organização, em reter seus talentos

A liderança de sua empresa é comprometida e ativa na atração e retenção de talentos? Qual foi a última vez em que um funcionário, reconhecido como top performer, foi dissuadido a deixar a sua empresa? Já houve casos de talentos deixarem a sua empresa, sem que ninguém tenha feito nada para impedir?

.
Essas são as práticas que diferenciam as empresas geridas pelas PECs, das demais – em especial as empresas familiares. Se você deseja elevar os resultados e a competitividade da sua organização, você deveria considerar a introdução dessas práticas.
.

Entretanto…

As PECs não administram suas empresas para que elas se perpetuem e passem de geração para geração. Se você quer uma empresa excepcionalmente bem gerida e bem posicionada para ter sucesso por muitas gerações, leia o terceiro e último artigo dessa série “Acionista: quer uma empresa excepcionalmente bem administrada? Vá além dos fundos de private equity“.

.

Para saber mais:

Vote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigo
Loading...