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Consultoria de estratégia e liderança

A pergunta com uma só resposta

Eu gosto muito quando uma pergunta é respondida com um único item. Gosto quando quem responde sabe que há vários porquês, mas que um é muito mais relevante que os outros e, portanto, falar dos vários é esconder a importância do um. Encontrei uma única resposta para uma pergunta que muita gente deve fazer: como se identifica um líder?

Estamos prestes a ser liderados por alguém que nunca soubemos ser uma líder: Dilma Roussef. Pelo contrário, Dilma é vista como arrogante, autoritária, burocrata e outros adjetivos que não a recomendam como futura líder do país. Além disto, foi guerrilheira e nem sequer faz parte do quadro histórico do PT, um partido que adora uma boquinha em um cargo público.

Sendo assim, a pergunta que não quer se calar é: por que ela?

Ontem um cliente me contou uma história que encaminha para a resposta da pergunta. Reproduzo a história porque ela tem uma resposta só e porque valoriza meu trabalho de criar condições para que as pessoas se comuniquem bem entre si.

Dois ilustres economistas são chamados regularmente ao Palácio do Planalto porque não freqüentam a chamada base aliada e , por isto, podem ser advogados do diabo para as propostas alopradas às quais é submetido a toda hora, nosso atual líder. Há algum tempo, em uma dessas reuniões, estes dois personagens foram informados pelo Presidente que ele havia decidido que o seu sucessor seria a Dilma Roussef. Os dois quase caíram da cadeira, assim como eu e você quando soubemos da decisão. Porém, diferente de nós, os dois privilegiados cidadãos estavam próximos ao decisor o suficiente para perguntarem por quê.

E Lula, que pode ser acusado de muita coisa menos de ser burro e inábil, só deu um motivo.

Lula disse que Dilma, sempre que vai falar com ele, leva um notebook, abre o dito cujo e – aí é que está o ponto ele, Lula, entende tudo o que ela explica. Podemos inferir por aí que Dilma é uma excelente apresentadora e que ser excelente apresentadora é condição para liderar uma nação, mesmo com vários pontos a contra-indicar.

Podemos ir mais fundo e verificar que Dilma percebeu que o objetivo das apresentações é o entendimento do público alvo. Parece óbvio, mas se fosse óbvio ninguém prepararia as apresentações chatas as quais todos nós somos submetidos quase que diariamente. Sim, porque ninguém presta atenção no que é chato e, quem não presta atenção, não entende.

Repare que Lula percebeu valor no fato de entender o que a Dilma apresenta. Concordar ou discordar não importa, que ele, simplesmente porque entendeu tudo, sabe os motivos pelos quais concorda ou discorda e conta com argumentos para discutir.

Se Dilma não fosse uma boa apresentadora, talvez Lula nem concordasse nem discordasse, ele dormiria e ela não seria indicada para concorrer à presidência da nossa pátria amada, Brasil.

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