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Consultoria de estratégia e liderança

510 anos depois, ainda atrás de Portugal…

Não estou falando nem de Copa do Mundo nem do Felipão.

Em telefonia celular, ainda vai demorar para alcançarmos nossos descobridores.

Apesar da falsa polêmica sobre o benefício das privatizações para o Brasil, não há dúvida que a transferência do controle para o setor privado em 98, associada à concessão de novas licenças para outros operadores privados, transformou a nossa vida e permitiu que haja mais de 170 milhões de celulares em atividade no País. E duvido que alguém declare sua linha como um bem, na declaração de Imposto de Renda, como se fazia com as linhas fixas.

O Brasil possui o quinto maior parque de celulares do mundo, segundo a International Telecommunication Union – ITU. Isso significa que estamos na vanguarda da comunicação movel e que somos um modelo a ser copiado pelo o resto do mundo? Dificilmente.

Atrás do Paraguai

Numa época em que o Brasil voltou a ser uma aposta como futura potência mundial, eu queria deixar o ufanismo de lado e colocar em contexto uma das indústrias que mais cresceram na última década.

Eis alguns dados: em 2008, o Brasil ocupava a posição número 106 em número de linhas por habitante, num ranking de 233 países. E olhem que a penetração do Brasil não é baixa – 90% em dezembro de 2009.

Mas para um país que quer ser um dos pilares de desenvolvimento do mundo, parece muito pouco. Estamos atrás de Argentina, Chile, Colômbia , Paraguai e Venezuela.

As razões para esta defasagem não são novas.

  • Temos uma das cargas tributárias mais perversas do mundo, para o setor de telecomunicações
  • Não conseguimos massificar as micro-recargas
  • Cobramos uma taxa de Fistel de cada aparelho, que limita o valor mínimo que se pode cobrar pelo serviço
  • Há todas as limitações de infraestrutura, importação e segurança que afetam todos os negócios do País

Com isso, o custo do serviço para os usuários também é um dos mais caros do mundo – ficamos em 87º lugar, em 2010, pelo ranking do ITU de custo para uma cesta de serviços de telecomunicações.

Mesmo assim, a penetração da telefonia celular, no Brasil, vem crescendo ano a ano. Será que não chegaremos a uma posição destacada, em pouco tempo?

Sete anos para chegar a Portugal

Para responder a essa pergunta, utilizamos a modelagem clássica de ciclo de vida de produtos – o Modelo de Bass.

A curva de Bass prevê que a penetração de telefonia celular no Brasil deverá alcançar 140% em 2015 – a penetração de Portugal há 2 anos atrás.

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Evolução e Previsão da Penetração de Celulares no Brasil
(número de linhas / população)

Após 2015, não se prevê um grande aumento nessa penetração.

A menos que a as condições do negócio se alterem.

O leão e o líder

Esta foi uma indústria marcada por inovação, tanto em termos tecnológicos (miniaturização, digitalização, SMS, dados, GPS, banda larga, touch screen etc.), quanto em modelo de negócios (quem recebe não paga pela ligação, pré pago) e estrutura da indústria (privatização, novas licenças, 3G, SMP, portabilidade). Tudo isto contribuiu para trazer o serviço até sua atual penetração.

Se a taxação do serviço se reduzir a patamares razoáveis e se essa redução se converter em tarifas menores, sem dúvida a mobilidade chegará a mais brasileiros.

Mas, além da parte do governo, o que a liderança da indústria pode fazer pelo desenvolvimento ainda maior do setor? Deixo aqui algumas perguntas:

  • Se não fizermos nada, será que vamos mesmo conseguir atingir as penetrações de 140-150%, sugeridas pelo modelo?
  • O que fazer para voltar a acelerar o crescimento desta indústria?
  • Qual o papel dos líderes da indústria nesta transformação?
  • Como aproveitar as novas alavancas de crescimento – mobile broadband, machine-to-machine?
  • É possível desenvolver modelos de negócios inovadores? Por onde andam as MVNOs?
  • Estamos fazendo um bom trabalho com o desenvolvimento das oportunidades em nossos clientes atuais? Segmentos como as pequenas e médias empresas estão sendo bem servidos?

N.A.: Adoro Portugal. A menção a Portugal vem do fato de ter sido lá que uma das maiores invenções da indústria de celular foi criada: o pré-pago. Lançado pela TMN no começo da década de noventa para reduzir a inadimplência, segundo me contou um dia o falecido e caro Romão Mateus, ex-Presidente da TMN e da Telesp Celular.

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Referências:
Indicadores de telecomunicações do International Telecommunication Union – ITU

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