Table Partners

Consultoria de estratégia e liderança

A sociedade em que nossos filhos viverão

À primeira vista,  Innovation Happens Elsewhere de Ron Goldman e Richard P. Gabriel parece ser sobre desenvolvimento de software. Entretanto, o livro deve ser lido como um estudo de caso, sobre as mudanças que estão ocorrendo em na economia global, por estarmos transitando de uma economia industrial, para uma uma economia do conhecimento.

Quando o dinheiro substituiu a terra, como principal reserva de valor econômico, surgiram a corporação e a indústria de serviços financeiros. O caso do software de código aberto apresenta os melhores exemplos, hoje disponíveis, das transformações que estão ocorrendo em nossas instituições econômicas, decorrentes da mudança na natureza do capital, de financeiro (i.e. baseado em dinheiro) para intelectual – baseado em conhecimento. IHEcover

A inovação mais importante da Revolução Industrial não foi a máquina a vapor ou no forno Bessemer ou qualquer avanço tecnológico, a responsabilidade era limitada, uma vez que mobilizou o fluxo de capitais.

–William A. Sahlman

Neste e em mais dois posts, apresentaremos uma tradução do Prefácio, escrito por Christopher Meyer, para Innovation Happens Elsewhere. Mais do que uma boa introdução ou resumo, o texto de Meyer é uma excelente “ponte” entre o conteúdo do livro e as rápidas mudanças que observamos no ambiente de negócios e na sociedade em geral.


A Sociedade do Capital e do Trabalho

A economia industrial demandou quantidades sem precedentes de capital financeiro. No século 18 o sistema financeiro era chamado a apoiar o comércio na escala de um navio de carga. Em meados do século 19, Carnegie estava construindo usinas siderúrgicas, Rockefeller refinarias e Gould ferrovias. John D. Rockefeller escreveu que a engenharia financeira dos Trusts – precursores das sociedades de responsabilidade limitada – foi uma inovação tão grande quanto a tecnologia para extrair e refinar petróleo.

A sociedade por responsabilidade limitada foi vital, porque essa nova escala de risco financeiro era demasiadamente grande para os empresários. Ela trouxe consigo diversas mudanças institucionais – o juizado de falências, por exemplo, substituiu a prisão dos devedores, como o resultado do fracasso financeiro – e um reequilíbrio do poder econômico, favorecendo o capital, em detrimento da terra e do trabalho. Posteriormente um equilíbrio entre o capital e o trabalho foi reestabelecido pelo movimento sindical e a legislação anti-truste.

Então, desde 1930, estas novas relações entre capital, trabalho e os consumidores mantiveram-se praticamente inalteradas no mundo industrializado.

Mas elas estão mudando agora.

Hoje, o capital financeiro não é mais escasso: o capital humano e intelectual são.

A Sociedade do Capital Intelectual

Mais uma vez, com o gradual amadurecimento da economia da informação, está ocorrendo uma evolução nas relações entre os titulares das novas e das velhas formas de capital. O capital financeiro não é mais escasso – venture capitalists têm devolvido capital para seus investidores porque não encontram oportunidades que combinem boas idéias com as pessoas certas.

Consequentemente, devemos ver surgir novas instituições, que mobilizem estes novos recursos escassos, da mesma forma como as instituições financeiras surgiram para mobilizar o capital, necessário para o crescimento da economia industrial. Por sua vez, as corporações e instituições financeiras verão minguar seus papéis, tal como ocorreu aos proprietários rurais no século 19.

Os proprietários do capital humano e intelectual crescerão em poder, como os banqueiros fizeram antes deles.

Mais que uma metáfora

“Capital humano e intelectual” não é uma metáfora – o talento e o conhecimento são ativos econômicos, no mesmo sentido que fresadoras e caminhões: representam capacidade produtiva, requerem investimento, depreciam e podem ser comprados, alugados ou emprestados.

Essas formas de capital apresentam características únicas, que não se encaixam nos modelos de gestão para o capital financeiro e físico. Assim, as inovações baseadas em redes, que estão dando mais liquidez e eficiência à maioria dos mercados – ECNs no mercado financeiro, CNET, Amazon e outros, no mercado de produtos – têm realizado apenas incursões limitadas nos mercados de capital humano. Até agora, Monster.com e MyRichUncle.com são desenvolvimentos interessantes, mas não transformaram os mercados de capital humano*.

Christopher Meyer

Os mercados de capital humano enfrentam dois desafios para tornarem-se mais eficientes.

Leia sobre eles no post A sociedade em que nossos filhos viverão 2.

Para saber mais sobre como a transição da sociedade do capital para a sociedade do conhecimento afetará nossas vidas e nossa sociedade, leia a terceira e última parte do texto de C.Meyer, no post A sociedade em que nossos filhos viverão 3.

____________________________________________________________

* Para saber mais sobre o futuro dos mercados de capital humano, ver Future Wealth, de Stan Davis e Christopher Meyer.

Vote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigoVote neste artigo
Loading...