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A lição mais importante dos esportes, para o empresário

Um dos articulistas da BNet acaba de comentar sobre lições importantes , a respeito de premiação e remuneração variável, que se podem extrair do sucesso do New England Patriots, o único time de futebol americano a ganhar três Super-Bowls em quatro anos seguidos (2002, 04 e 05) e também o time com o maior número de partidas invictas (21). Ao contrário de todos os outros times americanos, o bônus dos jogadores do Patriots depende muito mais do desempenho da equipe, do que do individual. De fato, as empresas têm muito a aprender com o modelo de remuneração variável e outras boas práticas de gestão do Patriots.

Na minha opinião, contudo, a lição mais importante que os esportes ensinam ao empresário é sobre ESTRATÉGIA.iStock_000009613546Small

Compare aquilo que as empresas chamam de estratégia, com o que um técnico de qualquer esporte − futebol inglês ou americano, volei, basquete − chama de estratégia.

Para as empresas, uma estratégia é um conjunto de objetivos e linhas de ação − muito similar à lógica de projetos e implementações, tão comuns no dia-a-dia das organizações que é fácil entender porque esse tipo de pensamento é transportado para o contexto da formulação de estratégia. A premissa por trás dessa forma de enunciar estratégias parece ser: “o que não se traduz em metas mensuráveis e ações claras, não é executável”.

O problema é que essa premissa é patentemente falsa e os esportes são a demonstração mais clara disso. Muito poucos discordarão de que um técnico de futebol ou basquete formula, para sua equipe, uma estratégia clara e executável, não apenas para cada partida, como para a disputa do campeonato como um todo. Que jogadores serão poupados em algumas partidas, para fortalecerem o time em outras, mais difíceis; que jogos disputar defensivamente e em quais adotar uma postura mais agressiva – são exemplos de decisões de natureza estratégica.

Entretanto, nunca se ouviu falar de um técnico que formulasse como estratégia:

“Nós venceremos o campeonato empatando as duas primeiras partidas, por 2×2, e acumulando um saldo de 3 gols nas partidas até a final, que venceremos por 1×0; os responsáveis pelos gols serão: Junior, no final do primeiro tempo da terceira partida; Romualdo, no início do segundo tempo da quarta partida…”

Puro non-sense, não é mesmo?

Então por que as empresas adotam exatamente esse tipo de pensamento, quando formulam as suas estratégias e linhas de ação?

Minha interpretação é que os bons gestores são intolerantes com a ambiguidade, no dia-a-dia da organização – eles promovem uma saudável clareza organizacional, que permite que suas equipes tenham um alto desempenho.

Contudo, a ambiguidade é uma parte essencial, inevitável, da maioria dos problemas para os quais estratégias são formuladas. Tentar eliminar a ambiguidade e a incerteza da formulação estratégica, resulta em enunciados bizarros, como o do técnico hipotético, mencionado acima.

E de que forma um enunciado estratégico pode incorporar a ambiguidade da vida real e, ainda assim, ser executável e gerenciável?

A comparação com a estratégia esportiva ajuda a responder também essa questão. Nos próximos posts exploraremos esse tema, descrevendo as metodologias de Planejamento Contingencial e de Milestone Planning.

Para saber mais:

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